Greve na Administração Pública e nos Serviços de Saúde em Portugal gera preocupação: sindicato aponta adesão de 80% no setor da saúde

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Portugal, 3 de novembro de 2026 – A greve dos trabalhadores da Administração Pública e dos serviços de saúde em Portugal esteve em destaque nos últimos dias. A paralisação realizada a 2 de novembro evidenciou o descontentamento de vários profissionais do setor público, que reivindicam melhores condições de trabalho, valorização salarial e mudanças nas regras de progressão nas carreiras.

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De acordo com informações divulgadas pelo sindicato, a adesão à greve no setor da saúde terá atingido aproximadamente 80%. Este número corresponde à estimativa apresentada pela organização sindical, não representando necessariamente um balanço oficial independente.

Paralisação de 24 horas afetou vários serviços públicos

A greve decorreu durante 24 horas, desde a meia-noite até às 23h59 de 2 de novembro. A mobilização abrangeu diferentes áreas da Administração Pública, incluindo serviços centrais, regionais e locais.

A iniciativa foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços e Entidades com Fins Públicos (STTS), que pretende chamar a atenção do Governo para questões relacionadas com os direitos laborais, a remuneração e as condições profissionais dos trabalhadores.

Os representantes sindicais defendem que os funcionários públicos precisam de medidas concretas para enfrentar as dificuldades económicas e melhorar a qualidade das condições de trabalho.

Sindicato afirma que adesão na saúde chegou aos 80%

O setor da saúde esteve entre os mais afetados pela paralisação. Segundo os dados apresentados pelo STTS, cerca de 80% dos trabalhadores deste setor terão aderido à greve até ao final da tarde.

A mobilização teve consequências em diferentes atividades hospitalares, nomeadamente nas cirurgias programadas, nas consultas externas e nos serviços de diagnóstico.

Alguns utentes tiveram de enfrentar alterações nas consultas previamente marcadas, enquanto determinados procedimentos médicos foram adiados devido à ausência de profissionais.

Durante as primeiras horas da paralisação, o sindicato tinha indicado uma participação aproximada de 60% nos setores da saúde e da educação. Posteriormente, a estimativa relativa à saúde aumentou para 80%.

Hospitais enfrentaram dificuldades no funcionamento habitual

A paralisação provocou perturbações em várias unidades de saúde portuguesas. Entre os serviços afetados estiveram consultas externas, intervenções cirúrgicas não urgentes e atividades laboratoriais.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, também foram registados impactos no funcionamento de determinados serviços. A participação dos trabalhadores na greve obrigou as unidades hospitalares a reorganizar algumas atividades.

Apesar das dificuldades, os serviços considerados essenciais continuaram a funcionar de acordo com as regras estabelecidas para garantir a assistência indispensável aos doentes.

Tratamentos essenciais foram mantidos

Durante a greve, foi necessário assegurar um conjunto de serviços mínimos para proteger os utentes que dependem de cuidados médicos regulares.

Entre as atividades consideradas prioritárias estiveram tratamentos de quimioterapia, imunoterapia, hemodiálise e serviços relacionados com a dádiva de sangue.

A manutenção destas respostas teve como principal objetivo evitar que os doentes em situações clínicas delicadas ficassem privados de assistência indispensável.

As unidades locais de saúde tiveram de organizar os seus recursos para assegurar o funcionamento das atividades consideradas prioritárias.

Subsídio de alimentação de 10,20 euros entre as principais reivindicações

Uma das principais exigências apresentadas pelo STTS está relacionada com o reforço do subsídio de alimentação dos trabalhadores da Administração Pública.

O sindicato pretende que seja estabelecido um valor diário de 10,20 euros através de um acordo coletivo de trabalho, defendendo igualmente que este benefício tenha um enquadramento fiscal favorável.

Segundo a organização sindical, o aumento do custo de vida tem pressionado os orçamentos familiares dos funcionários públicos. Por isso, considera necessário atualizar os benefícios associados à alimentação.

A reivindicação pretende garantir melhores condições económicas aos trabalhadores e acompanhar a evolução das despesas quotidianas.

Alterações ao sistema de avaliação SIADAP

Outra questão central da contestação está relacionada com o Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP).

O sindicato defende alterações às regras de avaliação profissional, sobretudo no que diz respeito à preservação dos pontos acumulados pelos trabalhadores ao longo da carreira.

Na perspetiva da organização, os funcionários não devem perder a classificação anteriormente obtida quando mudam de vínculo profissional, passam para outro posto ou alteram a respetiva carreira.

A proposta pretende reconhecer a experiência adquirida e garantir maior estabilidade nos processos de progressão profissional.

Profissionais de saúde reivindicam compensação pelo risco

Os trabalhadores da área da saúde também defendem o reconhecimento das responsabilidades e dos riscos associados às suas funções.

Entre as reivindicações apresentadas encontra-se a atribuição de um suplemento de risco aos assistentes técnicos de saúde, tendo em conta as características específicas das atividades desenvolvidas nas instituições médicas.

O sindicato considera ainda necessário reforçar os recursos humanos dos serviços públicos, através da contratação de mais profissionais.

A falta de trabalhadores pode aumentar a pressão sobre as equipas existentes e dificultar a prestação de serviços eficientes à população.

Educação e outros organismos públicos também foram afetados

A paralisação não ficou limitada aos hospitais e centros de saúde. O setor da educação e diferentes organismos administrativos também registaram perturbações.

Em algumas localidades, houve escolas que suspenderam as atividades letivas, enquanto outras enfrentaram dificuldades na organização do funcionamento diário.

Também foram assinalados constrangimentos em determinados serviços da Segurança Social, instituições judiciais e organismos administrativos.

A dimensão dos impactos variou consoante a adesão dos trabalhadores em cada instituição.

Novas paralisações poderão acontecer em novembro e dezembro

Depois da mobilização de 2 de novembro, os representantes sindicais deram indicação de novas ações de protesto para os dias 30 de novembro e 2 de dezembro de 2026.

O objetivo será continuar a pressionar o Governo para que as reivindicações dos funcionários públicos sejam discutidas e recebam respostas concretas.

A Federação de Sindicatos Nacionais e Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESINAP) também está envolvida na discussão das questões relacionadas com as condições laborais e a valorização profissional.

Governo enfrenta pressão para encontrar uma solução

A greve voltou a colocar no centro do debate a situação dos trabalhadores do setor público em Portugal.

De um lado estão os profissionais que exigem melhores salários, benefícios e condições de trabalho. Do outro está a necessidade de assegurar que os cidadãos continuam a ter acesso regular aos serviços de saúde, educação e administração pública.

A estimativa de 80% de adesão apresentada pelo sindicato no setor da saúde demonstra a dimensão que a contestação poderá ter alcançado, embora os números devam ser interpretados como dados divulgados pela própria organização.

O desenvolvimento das negociações entre o Governo e os representantes dos trabalhadores será determinante para perceber se será possível alcançar um entendimento antes das próximas datas de protesto.

Conclusão: A greve de 2 de novembro tornou mais visíveis as preocupações dos trabalhadores da Administração Pública portuguesa. As reivindicações salariais, a revisão das regras de avaliação profissional, o reforço dos recursos humanos e a valorização dos profissionais de saúde continuam entre os principais pontos de discussão.

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